Avaliação dos Professores

Esta polémica ainda há pouco começou e já muita tinta correu sobre ela. E quanto mais penso, só me vem uma coisa à cabeça: como poderão os pais avaliar um professor, sendo desconhecedores das pedagogias que se utilizam na escola, sabendo eu que muitas delas podem ser polémicas, mas eficazes?
No entanto, não tenho receio de ser avaliada por alguns pais: aqueles que vão à escola mesmo sem ser chamados! Agora dos outros... não é que eu não confie no meu trabalho e na qualidade dele, sei que tento sempre dar o meu melhor, mas há pais que só vão à escola para armar confusão e, sobretudo, para "descarregar" a pressão de não conseguirem educar os seus filhos como gostariam, culpabilizando assim os professores.
Eu, da minha experiência profissional, só posso concluir que uma boa parte da culpa de o sistema ter chegado onde chegou é dos pais. Não digo que não haja maus professores. Há. Mas sei que a maioria está a pagar uma factura alta demais à conta desses poucos que não estão nesta profissão por vocação.
Contactei com vários Encarregados de Educação este ano. Alguns deles vinham frequentemente à escola só para me perguntar o que deveriam fazer com os seus filhos. Está tudo dito!
Hoje em dia, os professores são psicólogos, psiquiatras, médicos, advogados, juízes, secretários e, por vezes, sobra-lhes um bocadito de tempo para exercerem as funções para as quais se formaram: leccionar. Não é irónico?

Eis a prova que faltava: O professor está sempre errado!

... se é jovem, não tem experiência...
... se é velho, está superado...
... se não tem carro, é um coitado...
... se tem carro, chora de "barriga cheia"...
... se fala em voz alta, grita...
... se fala em tom normal, ninguém o ouve...
... se não falta às aulas, é um tontinho...
... se falta, é um "turista"...
... se conversa com outros professores, está a falar mal dos alunos...
... se não conversa, é um desligado...
... se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos...
... se não dá a matéria, não prepara os alunos...
... se brinca com a turma, arma-se em engraçado...
... se não brinca, é um chato...
... se chama a atenção, é um autoritário...
... se não chama, não sabe impor-se...
... se o teste de avaliação é longo, não dá tempo...
... se o teste de avaliação é curto, tira as chances dos alunos...
... se escreve muito, não explica...
... se explica muito, o caderno não tem nada...
... se fala correctamente, ninguém entende...
... se fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário...
... se o aluno é reprovado, foi perseguição...
... se o aluno é aprovado, o professor facilitou.

É verdade, o professor está sempre errado!
Mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça-lhe a ele!

Sopeira

Profs em férias

As férias são um dos período mais controversos e polémicos entre professores e a sociedade em geral. A maioria acha que os professores passam o ano inteiro de férias. Quem por lá passa, acha que as férias são poucas.
É verdade que as férias sabem sempre a pouco, mas... os professores tem tantos dias de férias como qualquer outro funcionário! É também verdade que de vez em quando lá têm mais um dia ou outro que não entra nessa contagem, mas é também verdade que são inúmeras as horas que um professor dedica à escola que não são contabilizadas e que não estão marcadas no seu horário semanal... nem nas horas não-lectivas, que não chegam para tudo o que temos de preparar para que a pedagogia correcta seja posta em prática.
Custa ver que a sociedade portuguesa só se sente bem quando vê o vizinho mal. Há para aí grandes salários (bem melhores que o meu), que oferecem grande estabilidade e boa progressão na carreira (coisa que talvez nunca vou saber o que é) e que mesmo assim acha que temos uma vida santa... Para esses, só tenho uma coisa a dizer: experimentem a leccionar durante 1 semana 5 turmas, 120 alunos (como eu tive este ano), e depois falamos...

Há coisas que não lembram nem ao Diabo!

Estou de férias. Como desde há 5 anos. Fico de férias à espera de saber onde vou pousar no próximo mês. E desespero... como milhares de outros como eu...
É bom saber que os professores podem ser tratados como marionetes, que podem saltitar de um ano para o outro, não importa para onde, desde que tenha que levar na melhor das hipóteses a casa às costas, na pior, toda a família...
No meu caso é simples: não posso constituir família. Comprar casa para quê? Para chegar ao final do mês e ter não 1 mas 2 rendas para pagar. E se o parceiro também tiver a mesma profissão, poderão vir a ser 3 rendas... quem pode suportar isto?
A classe nem é mal paga, mas o problema são as despesas que esta profissão acarreta. E mais!!! Tenho de confessar que custa ver tantas pessoas que não investiram em estudos superiores ganhar mais do que eu. E a ter o previlégio de estar perto da família e dos amigos...
Pode ser que, como vi na Revolta dos Pastéis de Nata, o "Totolonge" este ano me poupe de ter de fazer 120 km para ir para o meu local de trabalho. Com um bocadito de sorte, fico a 119 km... é só melhorias! Viva!!!

Pois é...

Considerem este o primeiro dia em que vão passar a perceber o que é ser um stôr de Inglês em Portugal! Aliás, Não só de Inglês, mas o que é ser Professor/a!
É que esta treta é muito complicada. Gostava mesmo que os meus posts fossem entendidos como o verdadeiro abre-olhos para a nossa sociedade, que não compreende esta profissão. Só mesmo quem lá está!!!
E EU, por enquanto, ESTOU! A Ministra vai-me dando umas "beneces" e vou sendo autorizada a ministrar aulas a meias-lecas que pouco querem saber da escola. Estão mais preocupados em comprar telemóveis melhores do que o que o colega de carteira tem e em saber a que horas dão os «Morangos com Açúcar»... enfim, é o país que temos!
Vou fazer deste blog como um diário de bordo, onde posso desabafar e contar as histórias mais mirabolantes que possas imaginar, que ninguém acredita que se passam numa escola Portuguesa.
Pode parecer um blog tótó, mas não faz mal... assim como assim, ninguém liga ao que os professores dizem!!!!!