Afinal descobriu-me!!!

E is que a nossa ministra se lembrou da minha existência... e me deu um cantinho para leccionar!
O problema é que, mais uma vez, me colocou longe da minha residência... continuo com sorte e azar ao mesmo tempo: sorte, por se me dar trabalho; azar, por ser pela quarta vez consecutiva longe...
Curiosamente, fiquei colocada na zona mais longínqua a que concorri!
Como as coisas estão este ano, sei que não me posso queixar, só pelo simples facto de estar a trabalhar... mas, não sei porquê, isso não me conforta. Com a sorte que tenho, na próxima cíclica sai um horário anual a 10 km de minha casa...
Ser professor é ver o seu destino ser como uma roleta russa, a sorte pode aparecer... ou não!
Espero que a sra"chefe" se lembre que não se pode continuar assim eternamente, se quer professores motivados...

Hei, Ministra! Estou aqui!

E eis que sairam ciclicas mais uma vez. Curioso... não me chamaram outra vez! Tenho a certeza que se tivesse concorrido para trabalhar no "cu-de-Judas" já estava colocada. Mas de que me interessa isso? O ano passado fiquei colocada a 120 km de casa, e não consegui poupar 1 cêntimo. Este ano, optei por concorrer para mais perto (não concorri para o Algarve nem para Trás-os-Montes), perfazendo um raio de 70/80 km de minha casa. A ministra veio para a televisão na Segunda-Feira, vangloriando-se que este ano não se tinham ouvido as notícias dos professores "desterrados". É verdade. Nesse aspecto, alguns professores tiveram sorte. Outros muitos casos que conheço não tiveram essa sorte. Mas esses certamente a Ministra desconhece!
Há várias profissões, como esta, em que a necessidade obriga à sujeição das mais sórdidas condições para se exercer a profissão de que se gosta. Particularmente, a mim custa-me ouvir dizer que os professores ganham bem, quando eu sei que é mentira. Ganha-se bem, se compararmos o valor do salário com o salário mínimo nacional. E quê? Para que andaram estas pessoas a investir mais nos estudos? São LICENCIADOS! Antigamente, isto queria dizer algo. Agora são tratados como cantoneiros (sem ofensa a estes, que exercem uma profissão com tanto valor como a de professor). Para quando um subsídio de deslocação, como aufere qualquer trabalhador do sector privado que necessite de se deslocar por conta da empresa? Os juízes têm inclusivamente casa paga. Eu acho bem e já não peço tanto. Uma ajuda de custos. Para que os professores comecem a poder ter alguma estabilidade.
Ouvi ontem que vai haver uma reportagem na SIC sobre Mestres e Doutores que estão desempregados. Um deles dizia que pensava muitas vezes que teria sido melhor ficar como o 12.º Ano. Também já pensei isso muitas vezes... É uma vergonha este país chegar a este ponto. Depois admiram-se que os nossos melhores valores vão para o estrangeiro! Mas esta é já uma questão histórica. Estão a preservar a nossa história, já que sempre aconteceu isto...

Que treta de ministra!!!!

E cá estou eu de novo... esperava ter boas notícias para anunciar, mas o certo é que continuo à espera que publiquem as malditas cíclicas!
Mais uma vez chego ao final de Setembro sem estar colocada. É sempre a mesma coisa!!! Estou horas à frente do computador a "actualizar" a dita cuja página oficial! E a esta hora, lá está ela na televisão a dizer k é um mal necessário maltratar os professores!!!!
A nossa ministra bem que precisava de umas aulinhas de apoio de Português... ouvi-a dizer umas quantas palavras que me deixaram a pensar...
Mas como ela se deu ao luxo de reduzir cerca de 70% dos professores de apoio (que já não eram suficientes o ano passado), vai ter de ser auto-didacta! Eu até lhas podia dar... na minha componente não-lectiva... mas ela esqueceu-se que só tenho de cumprir essa componente se ela me der efectivamente componente lectiva!
É triste uma pessoa estudar tantos anos, estar a trabalhar há cinco (como é o meu caso), e continuar a ser descartável!

TPC, para que vos quero?

Após 1 breve ausência, eis que regresso com mais uma que só mesmo em Portugal: ora então os trabalhos de casa, vulgos T.P.C., vão terminar!!!!
Isto é a melhor notícia do ano... melhor ainda do que se todos recebêssemos um aumento de 50%!!!! Pena é eu já não me encontrar no papel de aluna, mas sim de professora. E como tal, considerar um insulto a tomada desta decisão. No mínimo seria desejável continuar como está, sendo o próprio professor autorizado a considerar se é ou não necessário que os alunos façam os tão indesejáveis trabalhos. Que é o que eu e todos os docentes que eu conheço fazem.
Nem sempre mando trabalhos de casa, e quando o faço tenho sempre em consideração a quantidade e o tempo que os alunos têm disponível para os fazer. Não há dúvida que os trabalhos de casa são uma componente importantíssima do estudo, sobretudo para alunos que não gostam de estudar, mas que ainda vêem os T.P.C. como uma obrigação e lá vão pegando nos livros escolares em casa. Isto pode parecer quase cruel, mas é verdade! Já para não falar daqueles que têm imensas dificuldades de aprendizagem, e que através dos T.P.C., têm mais uma oportunidade de trabalhar e melhorar as suas capacidades.
Vivemos numa época em que estudar é apenas uma obrigação, em que os alunos não percebem para que serve a escola... e em que os pais não perdem tempo a explicar nada disto... o que mais se pode dizer? Só que temos um ministério à altura de tudo isto. O lema é simples: agradamos aos pais, teremos mais votantes no nosso partido nas próximas eleições. Os alunos também vão gostar das medidas que vamos implementar, pois são tudo o que qualquer criança / adolescente que ouvir... e os professores, que não percebem nada de ensino, que se aguentem à bronca!!!!!

Avaliação dos Professores

Esta polémica ainda há pouco começou e já muita tinta correu sobre ela. E quanto mais penso, só me vem uma coisa à cabeça: como poderão os pais avaliar um professor, sendo desconhecedores das pedagogias que se utilizam na escola, sabendo eu que muitas delas podem ser polémicas, mas eficazes?
No entanto, não tenho receio de ser avaliada por alguns pais: aqueles que vão à escola mesmo sem ser chamados! Agora dos outros... não é que eu não confie no meu trabalho e na qualidade dele, sei que tento sempre dar o meu melhor, mas há pais que só vão à escola para armar confusão e, sobretudo, para "descarregar" a pressão de não conseguirem educar os seus filhos como gostariam, culpabilizando assim os professores.
Eu, da minha experiência profissional, só posso concluir que uma boa parte da culpa de o sistema ter chegado onde chegou é dos pais. Não digo que não haja maus professores. Há. Mas sei que a maioria está a pagar uma factura alta demais à conta desses poucos que não estão nesta profissão por vocação.
Contactei com vários Encarregados de Educação este ano. Alguns deles vinham frequentemente à escola só para me perguntar o que deveriam fazer com os seus filhos. Está tudo dito!
Hoje em dia, os professores são psicólogos, psiquiatras, médicos, advogados, juízes, secretários e, por vezes, sobra-lhes um bocadito de tempo para exercerem as funções para as quais se formaram: leccionar. Não é irónico?

Eis a prova que faltava: O professor está sempre errado!

... se é jovem, não tem experiência...
... se é velho, está superado...
... se não tem carro, é um coitado...
... se tem carro, chora de "barriga cheia"...
... se fala em voz alta, grita...
... se fala em tom normal, ninguém o ouve...
... se não falta às aulas, é um tontinho...
... se falta, é um "turista"...
... se conversa com outros professores, está a falar mal dos alunos...
... se não conversa, é um desligado...
... se dá a matéria toda, não tem dó dos alunos...
... se não dá a matéria, não prepara os alunos...
... se brinca com a turma, arma-se em engraçado...
... se não brinca, é um chato...
... se chama a atenção, é um autoritário...
... se não chama, não sabe impor-se...
... se o teste de avaliação é longo, não dá tempo...
... se o teste de avaliação é curto, tira as chances dos alunos...
... se escreve muito, não explica...
... se explica muito, o caderno não tem nada...
... se fala correctamente, ninguém entende...
... se fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário...
... se o aluno é reprovado, foi perseguição...
... se o aluno é aprovado, o professor facilitou.

É verdade, o professor está sempre errado!
Mas se você conseguiu ler até aqui, agradeça-lhe a ele!

Sopeira

Profs em férias

As férias são um dos período mais controversos e polémicos entre professores e a sociedade em geral. A maioria acha que os professores passam o ano inteiro de férias. Quem por lá passa, acha que as férias são poucas.
É verdade que as férias sabem sempre a pouco, mas... os professores tem tantos dias de férias como qualquer outro funcionário! É também verdade que de vez em quando lá têm mais um dia ou outro que não entra nessa contagem, mas é também verdade que são inúmeras as horas que um professor dedica à escola que não são contabilizadas e que não estão marcadas no seu horário semanal... nem nas horas não-lectivas, que não chegam para tudo o que temos de preparar para que a pedagogia correcta seja posta em prática.
Custa ver que a sociedade portuguesa só se sente bem quando vê o vizinho mal. Há para aí grandes salários (bem melhores que o meu), que oferecem grande estabilidade e boa progressão na carreira (coisa que talvez nunca vou saber o que é) e que mesmo assim acha que temos uma vida santa... Para esses, só tenho uma coisa a dizer: experimentem a leccionar durante 1 semana 5 turmas, 120 alunos (como eu tive este ano), e depois falamos...

Há coisas que não lembram nem ao Diabo!

Estou de férias. Como desde há 5 anos. Fico de férias à espera de saber onde vou pousar no próximo mês. E desespero... como milhares de outros como eu...
É bom saber que os professores podem ser tratados como marionetes, que podem saltitar de um ano para o outro, não importa para onde, desde que tenha que levar na melhor das hipóteses a casa às costas, na pior, toda a família...
No meu caso é simples: não posso constituir família. Comprar casa para quê? Para chegar ao final do mês e ter não 1 mas 2 rendas para pagar. E se o parceiro também tiver a mesma profissão, poderão vir a ser 3 rendas... quem pode suportar isto?
A classe nem é mal paga, mas o problema são as despesas que esta profissão acarreta. E mais!!! Tenho de confessar que custa ver tantas pessoas que não investiram em estudos superiores ganhar mais do que eu. E a ter o previlégio de estar perto da família e dos amigos...
Pode ser que, como vi na Revolta dos Pastéis de Nata, o "Totolonge" este ano me poupe de ter de fazer 120 km para ir para o meu local de trabalho. Com um bocadito de sorte, fico a 119 km... é só melhorias! Viva!!!

Pois é...

Considerem este o primeiro dia em que vão passar a perceber o que é ser um stôr de Inglês em Portugal! Aliás, Não só de Inglês, mas o que é ser Professor/a!
É que esta treta é muito complicada. Gostava mesmo que os meus posts fossem entendidos como o verdadeiro abre-olhos para a nossa sociedade, que não compreende esta profissão. Só mesmo quem lá está!!!
E EU, por enquanto, ESTOU! A Ministra vai-me dando umas "beneces" e vou sendo autorizada a ministrar aulas a meias-lecas que pouco querem saber da escola. Estão mais preocupados em comprar telemóveis melhores do que o que o colega de carteira tem e em saber a que horas dão os «Morangos com Açúcar»... enfim, é o país que temos!
Vou fazer deste blog como um diário de bordo, onde posso desabafar e contar as histórias mais mirabolantes que possas imaginar, que ninguém acredita que se passam numa escola Portuguesa.
Pode parecer um blog tótó, mas não faz mal... assim como assim, ninguém liga ao que os professores dizem!!!!!